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PARA CONSTRUIR
UM MUNDO NOVO

Chegamos a um ponto sem retorno. Em 2020, as condicionantes que impulsionam mudanças de comportamento e postura diante de questões humanas relevantes se radicalizaram mundo afora.

Nos últimos dias, milhões de pessoas vêm superando o temor de uma provável contaminação e estão saindo às ruas, equipadas com máscaras e muita coragem, para clamarem juntas por mudanças. Expõem-se a um risco elevado de contágio, mas ainda assim o fazem porque é inevitável e inadiável fazê-lo.

Diante desse panorama de inconformismo generalizado, nós da organização da campanha Fotografias por Minas refletimos e tentamos nos reinventar, conscientes de que a narrativa histórica – muitas vezes escrita por mãos opressoras – nos condicionou a repetir padrões profundamente enraizados, tingindo nossa perspectiva com a tinta branca do colonialismo. Essa mancha impregnada em nossas lentes subjetivas muitas vezes nos impede de enxergar a incoerência inata entre o que gritamos em nossas hashtags diárias e como, de fato, nos comportamos no mundo da vida.

Na tentativa de remover essa mancha, propusemos ao grupo a busca de ferramentas analíticas que identificassem nosso perfil e, dentro deste, o grau de diversidade humana que nos definia.

Somos em nossa maioria pessoas brancas cis hétero falando para uma maioria de pessoas brancas cis hétero.

Em nossa contagem interna, identificamos que a presença de pessoas negras em nosso quadro de participantes não passa de 10% dos 321 fotógrafes que aderiram à ação. Povos indígenas e pessoas LGBTIQs+ também participam em número muito reduzido.

“Mas era uma convocatória aberta, todas as fotos enviadas foram incorporadas ao conjunto, sem seleção, sem exclusão”, indagamos. Por que então o grupo continuava tão pouco diverso? A resposta talvez esteja atrás das mesmas barreiras invisíveis que costumamos ignorar, ou dentro das bolhas que insuflamos em torno de nossos círculos sociais. É preciso força para furá-las.

Descobrimos como era frágil nosso discurso de inclusão e como é falacioso o mote escolhido: é possível “imaginar um mundo novo” sem romper as verdadeiras barreiras que o mundo velho ergueu entre nós, entre os povos, entre os diferentes?

No momento em que estaríamos encerrando a campanha, em vez de comemorar seu sucesso, propomos um novo começo. Em uma construção conjunta e inclusiva, convidamos mais integrantes do nosso grupo para repensar coletivamente um próximo passo possível e ficou decidida a abertura de uma nova convocatória destinada apenas a pessoas negras, de origem indígena e LGBTIQs+.

Vamos estender a campanha por mais 21 dias, mantendo as fotografias que já estavam em nosso banco de imagens e adicionando as que chegarão. Simultaneamente, vamos promover ações na nossa comunicação que deem visibilidade a esses trabalhos. Torcemos para que sejam muitos, e que essas imagens continuem subvertendo a ordem colonial e normativa no combate à desigualdade e à opressão.

Queremos imaginar e construir um mundo novo. Lado a lado.

 

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